Está não é uma tradução oficial do artigo “Disclosure of Errors”, originalmente publicado no portal PS Net em 07 de setembro de 2019.
Contexto
Muitos pacientes prejudicados por um erro médico nunca ficam sabendo do erro. Tradicionalmente, os médicos evitam discutir erros com os pacientes, em parte por medo de desencadear uma ação judicial por negligência, mas também devido ao constrangimento e desconforto com o processo de divulgação (disclosure).
No entanto, as atitudes mudaram nos últimos anos — a maioria dos médicos, em uma pesquisa de 2006, havia divulgado um erro grave a um paciente e concordado que tal divulgação (disclosure) era necessária.
Pesquisas ajudaram a definir os componentes da divulgação (disclosure) que mais importam para os pacientes. Estes incluem:
- Divulgação (disclosure) de todos os erros prejudiciais
- Uma explicação sobre por que o erro ocorreu
- Como os efeitos do erro serão minimizados
- Medidas que o médico (e a organização) tomará para evitar recorrências
A “divulgação completa” (full disclosure) de um erro incorpora esses componentes, bem como o reconhecimento de responsabilidade e um pedido de desculpas pelo médico.
No entanto, pode haver um descompasso entre a visão dos médicos sobre a prática ideal e o que realmente acontece.
Por exemplo, a maioria dos médicos concorda que os erros devem ser totalmente divulgados aos pacientes, mas, na prática, muitos “escolhem cuidadosamente suas palavras”, não explicando claramente o erro e seus efeitos na saúde do paciente.
Fonte: Gallagher TH, Garbutt JM, Waterman AD, et al. Choosingyour words carefully: how physicians would disclose harmfulmedical errors to patients. Arch Intern Med. 2006;166:1585-1593. [goto PubMed]
Conquistando a Divulgação Completa (Full Disclosure)
Aumentar a quantidade e a qualidade da divulgação de errors (disclosure of errors) exigirá abordar o desconforto dos médicos com a divulgação (disclosure) e o medo de processos judiciais. Isso também pode exigir mudanças na forma como as organizações lidam com a divulgação de errors (disclosure of errors).
O medo dos clínicos em relação às repercussões legais da divulgação de errors (disclosure of errors) não é totalmente infundado, uma vez que a divulgação de um erro (disclosure of errors) por um clínico pode ser admissível em um processo por negligência.
De acordo com uma pesquisa de 2008, apenas oito estados nos EUA proibiram explicitamente que “admissões de culpa” fossem usadas como prova no tribunal (embora a maioria dos estados exclua “expressões de simpatia” de serem admissíveis como prova).
No entanto, os dados indicam que os pacientes são menos propensos a considerar entrar com um processo se os médicos pedirem desculpas e divulgarem totalmente os erros.
As baixas taxas de divulgação (disclosure) também persistem porque poucos médicos receberam treinamento formal sobre como discutir erros com pacientes e, dado que as circunstâncias que envolvem um erro são invariavelmente complexas, os médicos podem não ter clareza sobre a quantidade de informações que devem ser divulgadas e como explicar o erro ao paciente.
Há algumas evidências de que o treinamento formal em divulgação de erros (disclosure of errors) pode melhorar o conforto dos médicos com o processo.
Quando um paciente é vítima de um erro, os hospitais tradicionalmente seguem uma estratégia de “negar e defender”, fornecendo informações limitadas ao paciente e à família e evitando admissões de culpa.
Essa resposta tem sido criticada por sua falta de centralidade no paciente, e, em resposta, um número crescente de instituições implementou estratégias de “comunicação e resposta” que enfatizam a divulgação (disclosure) precoce de eventos adversos e uma abordagem mais proativa para alcançar uma resolução amigável.
Esse modelo inclui a divulgação completa (full disclosure) de eventos adversos, investigações adequadas, a implementação de sistemas para evitar recorrências e o rápido pedido de desculpas e compensação financeira quando o cuidado é considerado inadequado.
Um dos primeiros adotantes desse modelo — a Universidade de Michigan — demonstrou que essa abordagem resultou em menos ações judiciais por negligência e menores custos de litígios desde a implementação, e outras instituições encontraram resultados semelhantes.
Embora os programas de comunicação e resolução estejam sendo mais amplamente adotados, implementar esse processo é bastante complexo. Vários estudos indicam que o processo de divulgação de erros (disclosure of errors) deve ser tratado com sensibilidade para evitar alienar pacientes e famílias.
Um número crescente de publicações descreve as considerações regulatórias, legais e práticas para a implementação desses programas, e a Agência para Pesquisa e Qualidade em Saúde (AHRQ) desenvolveu o kit de ferramentas Communication and Optimal Resolution (CANDOR) para ajudar as organizações a implementar programas de comunicação e resposta.
Contexto Atual
A divulgação de erros (disclosure of errors) e eventos adversos agora é endossada por uma ampla gama de organizações.
Desde 2001, a Joint Commission exige a divulgação (disclosure) de resultados inesperados dos cuidados. Em 2006, o Fórum Nacional de Qualidade endossou a divulgação completa (full disclosure) de “resultados inesperados graves” como uma de suas 30 “práticas seguras” para a saúde.
A prática segura de divulgação inclui padrões para os profissionais em relação aos componentes-chave da divulgação (disclosure). Também exige que as organizações de saúde criem um ambiente propício à divulgação (disclosure), integrando atividades de gerenciamento de riscos e segurança do paciente, além de fornecer treinamento e suporte aos médicos.
Dez estados exigem a divulgação (disclosure) de resultados inesperados aos pacientes, e mais de dois terços dos estados adotaram leis que impedem que algumas ou todas as informações contidas no pedido de desculpas de um profissional sejam usadas em um processo por negligência.
Este projeto foi financiado sob o contrato número 75Q80119C00004 da Agência para Pesquisa e Qualidade em Saúde (AHRQ), Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo, conclusões e descobertas deste relatório, que não representam necessariamente as opiniões da AHRQ.
Os leitores não devem interpretar qualquer declaração neste relatório como uma posição oficial da AHRQ ou do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Nenhum dos autores tem qualquer afiliação ou envolvimento financeiro que conflite com o material apresentado neste relatório.