Sistemas de Resposta Rápida

Está não é uma tradução oficial do artigo “Rapid Response Systems”, originalmente publicado no portal PS Net em 07 de setembro de 2019.

Contexto

As equipes de resposta rápida representam um conceito intuitivamente simples: quando um paciente demonstra sinais de deterioração clínica iminente, uma equipe de profissionais é convocada para o leito a fim de avaliar e tratar imediatamente o paciente, com o objetivo de prevenir a transferência para a unidade de terapia intensiva, parada cardíaca ou morte.

Essas equipes se tornaram uma intervenção amplamente utilizada para a segurança do paciente, em grande parte devido à sua inclusão na campanha “100.000 Vidas” do Institute for Healthcare Improvement em 2005.

No entanto, o conceito de equipe de resposta rápida exemplifica a tensão entre aqueles que defendem a implementação rápida de intervenções de segurança do paciente, conceitualmente atraentes e apoiadas por evidências anedóticas de benefício, e aqueles que defendem uma abordagem mais rigorosa e baseada em evidências, inevitavelmente mais lenta.

Pacientes cuja condição se deteriora agudamente durante a hospitalização frequentemente apresentam sinais de alerta (como sinais vitais anormais) horas antes de experimentarem desfechos clínicos adversos.

Em contraste com as equipes de parada cardíaca ou “código azul”, que são convocadas apenas após a ocorrência de parada cardiorrespiratória, as equipes de resposta rápida são projetadas para intervir durante esse período crítico, geralmente em pacientes em enfermarias médicas ou cirúrgicas gerais.

Existem vários modelos diferentes de equipes de resposta rápida (veja a Tabela 1), e uma conferência de consenso em 2006 defendeu o uso do termo “sistema de resposta rápida” (SRR) como um termo unificador.

Hospitalistas estão assumindo cada vez mais as funções do SRR, seja como o principal respondedor ou para auxiliar as equipes lideradas por enfermeiros.

Tabela 1. Modelos de Sistema de Resposta Rápida 

ModeloPessoalFunções
Equipe de Emergência MédicaMédicos (cuidados críticos ou Hospitalistas) e enfermeirosResponder a emergências
Assistência Intensiva MóvelMédicos e enfermeiros de cuidados críticosResponder a emergências, acompanhar pacientes após alta da UTI, avaliar proativamente pacientes de alto risco na enfermaria, educar a equipe da enfermaria
Equipe de Resposta RápidaEnfermeiro de cuidados críticos, terapeuta respiratório e médico de apoio (cuidados críticos ou Hospitalistas)Responder a emergências, acompanhar pacientes após alta da UTI, avaliar proativamente pacientes de alto risco na enfermaria, educar e atuar como ligação com a equipe da enfermaria

Um conceito útil é considerar os SRRs como tendo braços “aferentes” (os critérios para chamar) e “eferentes” (resposta). Apesar das diferenças na estrutura da equipe, os critérios usados para convocar as equipes são geralmente semelhantes.

A equipe de atendimento à beira do leito é incentivada a chamar a equipe quando qualquer um dos critérios predefinidos (Tabela 2) é atendido. Em certos hospitais, pacientes e familiares também podem chamar a equipe.

Pesquisas recentes têm se concentrado no desenvolvimento de sistemas de monitoramento à beira do leito mais sofisticados, de “rastrear e acionar”, que poderiam ser usados para acionar automaticamente a intervenção quando determinadas anomalias fisiológicas são detectadas.

Tabela 2. Critérios Típicos para Chamar o Sistema de Resposta Rápida

Qualquer membro da equipe pode chamar a equipe se um dos seguintes critérios for atendido:

  • Frequência cardíaca acima de 140/min ou abaixo de 40/min
  • Frequência respiratória acima de 28/min ou abaixo de 8/min
  • Pressão arterial sistólica maior que 180 mmHg ou menor que 90 mmHg
  • Saturação de oxigênio abaixo de 90% apesar da suplementação
  • Mudança aguda no estado mental
  • Débito urinário inferior a 50 cc em 4 horas
  • Membro da equipe tem preocupação significativa com a condição do paciente

Critérios adicionais utilizados em algumas instituições:

  • Dor torácica não aliviada por nitroglicerina
  • Vias aéreas ameaçadas
  • Convulsão
  • Dor incontrolável

Evidências de Eficácia

As primeiras publicações sobre SRRs relataram melhorias significativas nos desfechos clínicos, mas várias revisões sistemáticas subsequentes moderaram o entusiasmo inicial.

As melhores evidências disponíveis indicam que os SRRs reduzem ligeiramente paradas cardíacas inesperadas em pacientes de enfermaria, mas não afetam a mortalidade geral hospitalar.

As razões para os efeitos inconsistentes dos SRRs são complexas e, em alguns casos, podem estar relacionadas a práticas locais e razões culturais que resultam na subutilização da equipe. Os SRRs são muito populares entre a equipe de enfermagem e podem contribuir para a detecção de problemas subjacentes de segurança do paciente nos hospitais.

Contexto Atual

Alguma forma de equipe de resposta rápida está presente na maioria dos hospitais nos Estados Unidos, impulsionada pela Meta Nacional de Segurança do Paciente da Joint Commission de 2008, que exigia que os hospitais implementassem sistemas para permitir que “membros da equipe de saúde solicitassem diretamente assistência adicional de um indivíduo especialmente treinado quando a condição do paciente parecesse estar piorando”.

Este projeto foi financiado sob o contrato número 75Q80119C00004 pela Agência de Pesquisa e Qualidade em Saúde (AHRQ), do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo, pelas conclusões e pelos achados deste relatório, que não representam necessariamente as opiniões da AHRQ.

Os leitores não devem interpretar qualquer declaração neste relatório como uma posição oficial da AHRQ ou do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Nenhum dos autores tem qualquer afiliação ou envolvimento financeiro que conflite com o material apresentado neste relatório.

FONTE: https://psnet.ahrq.gov/primer/rapid-response-systems

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